Não deixa de ser comum quem acredite que a perda de peso é o principal fator responsável pela diminuição de riscos causados por doenças cardiovasculares e metabólicas. Baseado neste senso comum é que Robert Ross & Peter Janiszewski elaboraram o presente artigo, procurando demonstrar que, diferente do que se acredita, são outras as medidas responsáveis pela diminuição de riscos à saúde, mesmo que isso pouco ou em nada altere o peso corporal do indivíduo.
Ao passo que a redução do peso está diretamente ligada à diminuição de riscos cardiovasculares relacionados à obesidade e, portanto, identificada como principal estratégia de tratamentos ligados à saúde, ainda há certa resistência à literatura que reconhece os benefícios do exercício físico para a saúde, independentemente da perda de peso ou massa corporal.
O Índice de Massa Corporal (IMC), nesse sentido, segue como um bom marcador de risco à saúde e indicador das taxas de sobrepeso e obesidade, especialmente às doenças cardiovasculares. Contudo, mais do que o peso, o grande acúmulo de gordura abdominal consiste no principal fator de risco, sendo a circunferência da cintura um marcador da gordura abdominal e um forte fator para identificar riscos de morbidade e mortalidade por doenças cardiovasculares.
Não apenas o IMC, portanto, mas também a circunferência da cintura, precisam ser os principais objetivos das estratégias de redução de obesidade ligada a doenças cardiovasculares, sendo a perda de peso não absolutamente necessária para a redução dos riscos a tais doenças e sim a perda da gordura abdominal, ou visceral.
Diversos estudos e evidências, como o International Day for Evaluation of Abdominal Obesity (IDEA - 2007), realizado em mais de 63 países com cerca de 169 mil pacientes entre 18 e 80 anos de ambos os sexos, apontaram que a gordura visceral é um forte prenúncio de diversas doenças cardiovasculares e metabólicas, entre as quais: intolerância a glicose, resistência à insulina, inflamações sistêmicas, hipertensão, doenças respiratórias, diabetes tipo II, entre outras causas de morbi-mortalidade.
Nestes moldes, o peso por si só é um indicador pobre de redução de risco de doenças cardiovasculares, principalmente porque só costumam ocorrer no início dos programas de redução de obesidade, sendo necessário, para que seja mantido, alterações nos hábitos e comportamentos de vida. Ao passo que a redução da circunferência da cintura e da gordura visceral ocorrem mesmo sem perda de peso.
De acordo com os autores, as mudanças na composição do corpo são mais frequentes do que o próprio peso corporal em resposta à realização de exercícios físicos. Assim, a diminuição de massa gorda, especialmente gordura visceral, ocorre juntamente ao aumento de massa magra em resposta ao exercício físico, sem que isso cause alterações no peso do corpo, mas sim na circunferência da cintura.
Entre os benefícios após uma hora de treino moderado, há a diminuição da resistência da insulina de 20hs a 48hs em indivíduos diabéticos, redução da pressão arterial em indivíduos hipertensos, redução de 7% a 15% nos níveis de colesterol HDL no sangue em indivíduos com alta taxa de colesterol, além de outros, sendo que todos estes resultados foram identificados sem que necessariamente ocorresse perda de peso. Segundo os autores, "ir além da perda de peso é o único indicador para o sucesso dos tratamentos de obesidade".
Sendo a obesidade um problema multidimensional, portanto, ela requer respostas multidimensionais. Muito além da perda de peso, o reconhecimento dos distintos benefícios do exercício, combinados com o consumo de uma dieta balanceada, podem levar o paciente a adotar hábitos de vida mais saudáveis e que levem à redução da obesidade e os fatores de risco a ela relacionados.
Bibliografia:
ROSS, Robert & JANISZEWSKI, Peter M. Is weight loss the optimal target for obesity-related cardiovascular disease risk reduction? Can J. Cardio, v.24, Suppl D, set. 2008.
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